Com tantas mudanças nas leis de imigração no Japão, é certo que, em abril do próximo ano, mais de três quartos dos brasileiros residentes no arquipélago nipônico retornarão ao Brasil, alguns com dinheiro, guardado com muito sacrifício, outros com nada.

Mas o ponto não é exatamente este, há vinte anos o governo japonês facilitou a vinda de brasileiros, talvez, em parte, pela pressão de empresários que precisavam de mão de obra.

Os nikkeys brasileiros que vieram, logo mostraram a criatividade, responsabilidade e força de vontade, fazendo muitas horas extras sem reclamar, trabalhando por dois ou até três japoneses e, é claro que os empresários japoneses tornaram-se $impatizantes da mão de obra brazuca e o resto da história todos conhecem.

Hoje, questiono o começo dessa história.

Será que o empresariado e o governo japonês  tiveram a intenção de usar  e descartar os brasileiros desde o começo?

Por que não  houve restrições (idioma e aptidões profissionais) desde o inicio?

Por que nunca houve intenção do governo japonês integrar os brasileiros na sociedade  japonesa?

O governo japonês ou o brasileiro tomará alguma providência em relação a esta geração  que está sendo descartada aqui e que provavelmente será descartada no mercado de trabalho brasileiro?

Isso tudo me faz lembrar os portugueses que “trouxeram” os negros da África, usaram e depois descartaram, num acordo que, claramente, foi político, assinado pela filha do imperador, que de quebra ainda ficou na história como a heroína salvadora dos negros.

O que acontece com alguém que passa a vida inteira acorrentada e repentinamente é libertado?

Qual a estrutura psicológica, emocional, haverá nesta pessoa?

Eu tenho emprego, ainda, tenho visto permanente (que não significa nenhuma garantia), estou inscrito no sistema de saúde, falo japonês  o suficiente para procurar emprego, tenho algumas outras habilidades além da rotina de fábrica.

Então por que eu estou preocupado?

Por que perco o meu tempo livre, tentando informar, trazer à tona algumas discussões?

Serei eu um sindicalista?

Serei eu algum futuro candidato político?

Estou tentando destacar-me na comunidade?

A minha resposta é não!

O que eu não posso permitir é este estupro consentido, não posso permitir que milhares de pessoas sejam usadas e descartadas, simplesmente para que um político mostre aos eleitores que está fazendo algo pelo país.

Esta é a hora de nos unir, hora de somar, independente de ideologias, interesses ou crenças. É preciso lutar até o último suspiro, pois a última coisa que quero é ser lembrado como alguém que fez parte da “TSUKAISUTE SEDAI”.

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