Dia desses voltando de Tóquio tive a oportunidade de conhecer dois senhores muito interessantes, percebi que eram fotógrafos pelo tipo de bolsa que carregavam. Aliás, eu também estava com a minha.

Logo que sentaram começaram uma conversa sobre lentes, inclusive um deles disse que comprara uma determinada lente escondido do filho, que segundo ele havia dado dinheiro como presente de aniversário, disse também que o filho ficaria bravo se soubesse que ele tinha gasto todo o dinheiro ganho na lente, os dois riam da situação.

Confesso que também não pude conter o riso, ainda que tímido, pois só quem tem algum hobby caro sabe como são as coisas, mas foi quando ele tirou a lente do estojo querendo mostrar pra mim também pude adentrar a conversa, daí para eles começarem a mostrar o arsenal adquirido ao longo de anos foi um pulo.

Por sorte os dois eram canonmaníacos e aproveitei para mostrar a minha também, sem cerimônia eles pegaram e disseram as especificações (isso era para mostrar que eles entendiam mesmo), então disse para eles que tirava fotos, mas minha área era vídeo.

Foi dizer isto para eles começarem a me encher de perguntas, pois haviam feitos alguns testes e não tiveram sucesso, foi quando um deles tirou o iPhone e mostrou um pequeno vídeo feito e editado por eles e quanto mais eu falava sobre softwares, codecs, plataformas e hardware, mais eles  perguntavam e para o meu espanto eles entendiam tudo (não estou falando do idioma e sim dos termos técnicos).

Eu sempre fui meio geek e com o tempo aprendi que só posso oferecer a informação que a pessoa pode digerir, não adianta forçar, porque no fim você acaba ficando frustrado quando a pessoa diz:

– Não entendi!

Desembarquei em Yokohama e eles também, me convidaram para tomar um café e pensei com meus botões, por que não?

Foram quase duas horas de papo, umas boas risadas, troca de links, e-mails, dicas, enfim um verdadeiro geek talk, na despedida perguntei qual o rumo deles e depois de uma boa risada um deles me disse Shinagawa.

– Então acho que os senhores estão um pouco longe – disse sem entender.

– Ah! Mas a conversa estava boa! – responderam eles entre risadas.

Trocamos cartões e eles fizeram me prometer que encontraria com eles novamente.

No trem, ainda admirado com aqueles senhores, pensei comigo:

Que eu me torne um high-tech oyaji como estes dois.